[Tormenta RPG]O que gerou polêmica nos últimos dias.

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[Tormenta RPG]O que gerou polêmica nos últimos dias.

Mensagem por Rotieh em Ter Jan 18, 2011 2:50 pm


Olá. Este não será um post escrito apenas por mim. Será um "livro de recortes", e escolhi bem dois dos melhores textos que li sobre este tema para ilustrar nossa discussão.

Antes de mais nada, os links para os artigos utilizados:


O papel do Profissional do RPG: A Cruz ou a Espada?


Apelar não vale, pô!

E o "artigo premiado":


Tormenta RPG e Valkária: Como fragmentar um sistema fragmentado


Ps.: Os créditos são dos devidos autores, infelizmente não pedi autorização para postar aqui suas palavras, qualquer comentário acerca delas pode ser feito no blog em questão, além de aqui ;)

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Mas afinal, de que se trata?

O cenário do RPG no Brasil é complicado. Temos poucas editoras tentando trazer títulos legais, temos apenas UMA revista especializada no ramo e um público mais de nicho. A televisão (e alguns jogadores também!) não contribuem para que o jogo se torne popular e só agora o RPG está sendo reconhecido como um JOGO, assim como Monopoly ou qualquer outro. Ou seja, a coisa é difícil.
(Thiago Fernandes - RPG Vale)

Mas onde quer chegar?

Leia o trecho a seguir:

Tormenta sempre se apresentou como uma ambientação funcional para apresentar o hobby a novos jogadores que talvez não fossem capazes de se sair tão bem ao cair de paraquedas num cenário sombrio como Vampiro, a Máscara ou mesmo na fantasia medieval feijão com arroz do D&D genérico, principalmente os mais jovens. Mas esse cenário, com requintes de humor, sempre tendeu a se tornar obsoleto conforme os jogadores amadureciam e buscavam um jogo mais sério e mais bem amarrado. Ainda assim o cenário detém o mérito de ser um dos mais jogados no país.

Com a chegada da 4ª Edição, os tempos mudaram. As dificuldades de uma conversão perante a total repaginação do sistema de jogo afugentaram vários jogadores, tanto novos com preguiça de reaprender o sistema, quanto antigos fãs do 3.5 que acharam a nova edição muito MMORPG, ou qualquer outra justificativa. Nessa conjuntura os lançamentos tiveram que se adaptar: alguns se refugiaram no Pathfinder enquanto outros se aventuraram no novo D&D. E há, é claro, alguns que preferiram fazer do seu próprio jeito. Só que não deu muito certo

Tormenta RPG (TRPG) usou algumas regras da 4ª Edição, mas sem abandonar a 3.5, e ainda adicionou elementos de Star Wars Saga Edition e Pathfinder. A ambientação já confusa – Tormenta surgiu como um modo de juntar quase tudo já publicado na Dragão Brasil num só cenário – consegue ficar em segundo plano com as diversas trapalhadas que surgem nas regras. O famoso Trio Tormenta, e seus discípulos, o Trio Ultimate, abraçam o sistema de perícias e os valores fixos de pontos de vida do novo D&D. Mas mantêm o sistema antigo de talentos, BBA (ou quase) e classes de prestigio, entre outros. O problema verdadeiro não está na junção das regras das duas edições na tentativa de criar um 3.75, mas sim nas novidades que eles apresentam (ou adicionam de outros lugares).
(Marcelo Lacerda - Rede RPG)

Sinceramente... Qual o motivo real disso?

É uma pena que os dicionários ainda não traduzeam o termo apelação como eu aprendi na vida. Quando você apela você normalmente está usando um meio desleal ou minimamente questionável para conseguir um intento. Uso muito este termo quando vou jogar videogame e o Player 2 usa de expedientes apelativos para conseguir a imerecida vitória – em bom português: encosta no canto com haduken, ou fica campeando a distância com a sniper. Em bom português mesmo, porque eu não preciso florear meu texto para me fazer entender.

Outro uso que eu vejo é quando alguém faz alguma coisa, digamos, moralmente questionável, para conseguir alguma coisa. Apelar neste caso é arrumar barriga com jogador de futebol para ganhar dinheiro fácil, é arrumar escândalo para ficar na mídia, é colocar opiniões “polêmicas’ para aumentar o número de visitas ao seu site. Isso é apelar. Não está no dicionário, mas está por aí. Dê uma boa olhada.

E por que as pessoas apelam? O motivo causal está contido no próprio conceito de “apelar”. Apela-se para conseguir alguma coisa que não se tem – e que se quer. E no Brasil apela-se para quase tudo, desde nudez passando por argumentos polêmicos que desafiam o bom senso e a chamada liberdade de expressão até chegando ao preconceito escancarado e o crime disfarçado. Se eu colocar num post qualquer aqui que todo RPGista é um tremendo maconheiro, adorador do demônio, fudedor de criancinhas o meu blog vai lotar. E por que? Porque eu usei de um expediente para aumentar meu número de visitas. Desleal? Pode apostar. Fútil? Com certeza… mas quando o AD sense perceber a drástica mudança no meu número de visitantes eu vou receber algumas doletas a mais. Fale mal, mas fale de mim… e pague a conta.
(Valberto - Lote do Betão)

Não que eu concorde que fizeram isto por este motivo, mas concordo com o que vem a seguir:

O caso "SITE DE RPG" x "Trio Tormenta" me deixou de boca aberta. O papel do crítico/escritor não é atacar desvairadamente outro escritor só porque algo o desagradou. Todos querem que o RPG seja reconhecido e cresça. E aposto que todos ficam felizes quando são reconhecidos como profissionais do RPG, certo? Eu, pelo menos, fico muito feliz quando vejo meu trabalho ser reconhecido. Mas a palavra é exatamente essa: TRABALHO. E, como todo trabalho, ele vem acompanhado de algo chamado "ética".
(Thiago Fernandes - RPG Vale)

Foi tão ruim assim?

Nós poderíamos agora tentar ressaltar pontos positivos do sistema, mas os negativos simplesmente quebram completamente o equilíbrio e a diversão que o jogo deveria proporcionar. Arton, pra variar, falha como um cenário serio. TRPG falha como sistema sério e os membros do Trio Tormenta e seus discípulos, o Trio Ultimate, mais uma vez, falham como autores sérios.
(Marcelo Lacerda - Rede RPG)

Pense alguém falando isso de um trabalho seu, que te tomou horas de sono durante 15 anos.

Tá, mas tem muito blog por aí fazendo críticas assim!

Sim, jovem, existem infinitos blogs sobre isso. E sabe o que acontece quando você, que mal conhece o RPG, tenta usar o google pra procurar algum bom site para ler e entender do assunto? É como beber água... DE UM HIDRANTE! A enxurrada é tão grande, que é mais fácil você se afogar do que matar a sede.

E é exatamente por isso que nós, blogueiros ou autores de rpg temos um papel fundamental nesse assunto, principalmente que escreve ou administra sites grandes. Porque somos nós que vamos guiar nossos amigos para o que é "cool" e o que é "não-cool", somos nós que construimos a imagem do cenário brasileiro e somos nós que estamos com a bola na mão, querendo ou não.
(Thiago Fernandes - RPG Vale)

a visão deles de realidade e portanto, de verdade: eles dizem que se destacar é um ato de sorte. Estar no lugar certo, na hora certa, com o público certo. Você pode até ser melhor que o seu concorrente, mas como ele teve sorte e você não teve, você ainda é melhor, apesar dele estar se destacando. Com o perdão do termo, mas esta é a maior imbecilidade que escuto desde que alguém me perguntou se existe eleição para Rainha da Inglaterra.

Quer dizer que Einstein teve apenas sorte? Que João do Pulo esteve no lugar certo, na hora certa? Que não existe qualquer talento em Myamotto Musashi, a não ser, talvez, sorte extraordinária? O buraco, como dizem os ginecologistas, é mais embaixo.
(Valberto - Lote do Betão)

Um dos comentários no tópico da Rede RPG:

No caso, então, a Rede não é mais o inegável fenômeno que foi há alguns anos por falta de sorte? Tudo ficou claro agora.
(Armageddon)

Tsc...

Não acho legal levar esta discussão mais adiante, ainda que ninguém lerá isso aqui (e podem expressar suas opiniões tanto aqui quanto no próprio tópico da Rede RPG, ao qual está abarrotado de comentários - será que era esta mesma a intenção?)

Um desfecho, para quem já cansou de ler:

Críticas, como todo escritor sabe, são construtivas. Sempre que vejo uma crítica sobre o meu livro eu fico feliz por poder ler e ver no que errei e o que posso mudar. Mas há grandes diferenças entre criticar, apontando erros e expondo um ponto de vista; e atacar a ferro e fogo um (ou vários) autores, dizendo que eles "falham" como autores e outros argumentos que são mais fracos que um Kobold com hemorróidas.

(...)

Gostaria que vocês, leitores da RPG Vale, escritores e autores pensassem nisso. Não quero defender Tormenta nem atacar o outro blog. Quero sim, defender a ética e o profissionalismo que todos nós, profissionais do ramo, devemos ter.

Afinal, gosto é que nem D20: cada um tem o seu e ninguém gosta de usar o do amigo.
(Thiago Fernandes - RPG Vale)
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Re: [Tormenta RPG]O que gerou polêmica nos últimos dias.

Mensagem por Dark em Ter Jan 18, 2011 3:16 pm

É. Ética pra quê se o importante é lotar nosso site?

Gostei muito do comentário do Valberto sobre apelação. Disse muito sobre o que vemos hoje na internet e em outros meios.

Não defenderei um sistema que nunca joguei. Também não acusarei um site que nunca entrei. Mas não dá pra ficar quieto hoje num mundo em que cada um fala o que quer e não é responsabilizado por isso.

Parabéns Marcelo Lacerda. Honrou o sobrenome. (Quem não se lembra do jornalista Carlos Lacerda que falava o que queria?)

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Re: [Tormenta RPG]O que gerou polêmica nos últimos dias.

Mensagem por Rotieh em Ter Jan 18, 2011 4:36 pm

Resposta às polêmicas, leiam por favor:

http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=7644

E por favor leiam os comentários, pois os administradores da Rede RPG estão se defendendo com argumentos que merecem ser lidos.

Leiam também o comentário não-agressivo de muitos, que é atacado diretamente.

Eu achei interessante uma das respostas, de Fallen_Archangel, mas não concordo plenamente, muito embora responde diretamente ao conteúdo do texto exposto pelos administradores:

Foi exatamente este tipo de postura que me fez frequentar cada vez menos o Rede RPG. E falo mais: o problema não é simplesmente o falar mal de um cenário que nem jogo mais. É o precisar se justificar em cima de um erro e jogar a culpa nos outros. Isto é ruim e mancha a reputação de qualquer local.
O mais curioso é que, indo no fórum da Jambô, eu nunca vi ninguém que é responsável por lá escrever algo depreciando o material daqui, por pior que ele seja. Se tiver, ainda sim não é tão evidente quanto o tipo de birra que permeia este espaço.
Uma estratégia comum é sempre chamar qualquer pessoa que não concorde de fanboy. Estratégia já apresentada por Schoppenhauer, que é atacar com um “ad hominem” sempre que alguém se opor, além de dar voltas quando argumenta algo. Desculpe-me Telles, mas escrever algo assim, de forma incoerente, dói para ler. Porque poderia simplesmente deixar isto passar e seguir com seus projetos, que devem ser melhores e ter mais receptividade com quem interessa para ti: o seu público.
Em Marketing o sucesso se dá exatamente em lançar alguma coisa no momento certo. Se eles lançaram algo no momento certo e tiveram sucesso, isto quer dizer que foram bem sucedidos. Manter este sucesso requer trabalho e também requer planejamento. Nada se mantem viável sozinho. Ter quem compre, ter quem pense no lado financeiro e ter quem consiga tomar as rédeas e quem consiga divulgar faz parte da manutenção do sucesso.
Outro ponto a ser pensado: qualidade independe de juízo de valor. Se algo é bom, não importa que você goste ou não. Eu mesmo não gosto de Eça de Queirós, mas ele é um excelente escritor, com livros excelentes. O fato de algo ser bom é perceptível a qualquer um com um pouco de senso crítico. E nem sempre o melhor é agradável para os outros. Afinal, Leibniz é excelente, mas bem desagradável...
Uma coisa que também não pode ser esquecida é que a crítica se pauta em analisar algo. Significa que não existe esta bobagem de crítica construtiva. Claro que eu posso conduzir a minha análise e induzir quem lê a ver somente o lado ruim, mas ainda sim preciso fazer isto parecer coerente. E o que foi visto é justamente um exemplo do que não é crítica: um esforço para se falar mal de algo que desagradou muita gente, mesmo quem não é fã do cenário. Mas parece que a ordem da casa é concordar com a pseudocrítica por querer se deixar levar por ela ou não concordar e ser taxado de fanboy do cenário e acusado de trollar o portal.
Partindo daí se pressupõe que não é importante saber da opinião de quem frequenta este espaço, que é bacana fazer um trabalho para quem somente diz “amém” a tudo e se justificar em cima de bobagem. Em cima de algo que é BOBAGEM e ainda achar que faz o seu papel de crítico. Tenha pelo menos um pouco de bom senso e esqueça este assunto.
É por isto que existem alternativas para quem gosta de se informar sobre RPG e espera ser bem tratado e ter ao menos a liberdade de se expressar sem ser visto com animosidades. Sem precisar de DESCULPAS por parte de quem é dono do lugar. Já não deu no saco este assunto? Já não é algo que deveria ser esquecido? Ou vai ser preciso deixar clara a sua briga contra o pessoal que faz hoje Tormenta e trabalha com a outra editora?
As pessoas observam quando ser incoerente começa a atrapalhar o discurso. Por isto espero mesmo que este tipo de coisa não volte a acontecer. Porque opinião todo mundo tem direito a ter e expressar. Mas, como juízo de valor, vai ser contestada sempre.

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Re: [Tormenta RPG]O que gerou polêmica nos últimos dias.

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