O que é tema de RPG? Fantástico vs. Tolkieniano!

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O que é tema de RPG? Fantástico vs. Tolkieniano!

Mensagem por Elendil2 em Sab Maio 07, 2011 3:06 pm

Temas de Cenário: Fantástico vs. Tolkieniano


FONTE: o Explorador de Masmorras, por Fernando Valadares [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Inaugurando uma subcoluna de Sobrevivência, no Temas de Cenário vou falar um pouco sobre... adivinha? Os temas mais populares usados nos cenários de campanha! Hoje o tema é Fantasia - aquele que nós tanto vemos nos MMO e usamos na nossa mesa de D&D - e "Tolkieniano" - o modelo baseado nas obras do professor Tolkien.

Mas antes de falar sobre ambos, o que é exatamente o "tema" de um cenário de campanha? Para começar, é aquilo que vai abrir o leque de objetivos de seus personagens e decidir os monstros que eles irão enfrentar, vai influenciar as suas aventuras e interpretação, até mesmo as classes disponíveis para os jogadores. É, enfim, o que rege todos os elementos básicos do cenário em qualquer campanha de RPG. Como vou explicar mais adiante, cada tema tem o seu foco voltado para algo mais específico.



Caso você esteja pensando que se trata de Medieval, Sci-Fi e Cia de modo geral, chegou quase lá. Na verdade esses são os que poderíamos chamar de "grupos de temas". Já como não podemos alegar que duas campanhas Futurísticas não serão sempre iguais, assim como cenários Medievais podem ser completamente diferentes - como os exemplos do post de hoje. Eles têm a mesma origem, mas são essencialmente diferentes.

Vou dar um exemplo do que estou dizendo. O quanto você acha que Star Wars é parecido com Fallout? Eles não têm nada em comum, apesar de serem os dois cenários futurísticos, afinal, Fallout é um cenário pós-apocalíptico, enquanto Star-Wars é mais assemelhado com StarTrek. É disso que eu estou falando!

Então, começando a falar sério: que exatamente eu chamo de cenário Fantástico?

Podemos dizer com certeza que são os mais comuns nas mesas hoje em dia. Esse negócio de capa-e-espada, resgatar a princesa do castelo do dragão, tudo isso faz parte, embora não seja o que realmente diferencie-o de outros temas Medievais. O que realmente destaca são os elementos que Dungeons & Dragons trouxe e que vingou tão bem; monstros das mais variadas espécies e origens antagonizam os personagens, enquanto vê-se fadas e eladrins voando por aí, anões-cinzentos que podem ficar invisíveis... Enfim, dá pra observar o alto nível de magia no cotidiano dos habitantes desse mundo.



E quando falo cotidiano, é o tempo todo mesmo. Principalmente nas grandes metrópoles de qualquer cenário de campanha, você pode encontrar facilmente mercadores de artefatos mágicos fazendo uma liquidação, assim como virar a esquina e contratar os serviços de um clérigo para ressuscitar o seu companheiro caído em batalha. Nesse caso, é um mundo completamente diferente do nosso, meros mortais - por isso é um mundo construído em fantasia pura, apresentando às vezes até um caráter infantil.

E além: será que a magia em excesso não poderia deixar as coisas muito fáceis de serem resolvidas? De vez em quando os Mestres nem prevêm o uso que os personagens podem fazer da magia durante uma aventura. Imagina se ele pensou que os personagens fossem atravessar um pântano andando, e por isso preparou todo um encontro para eles. Só que quando se depararam com o terreno enlameado, decidiram ir voando e perderam metade da aventura! É o que pensava o nosso colega Tolkien. Eu já devo até ter comentado aqui no blog alguma vez - ele sempre considerou muito fácil dar aos personagens a capacidade de usar magia quando bem entendessem. Até mesmo a magia divina é limitada em muitas horas. Você pode ver que não é dado a Gandalf (the Gandalf) a capacidade de lançar uma mísera bola de fogo (ou bola de água, sei lá) pra cima do Balrog. Assim ele poderia não teria morrido, os hobbits não seriam capturados, a sociedade não se romperia e por aí vai...

Claro que, assim como isso inclui os bônus de se limitar a magia, inclui também o ônus. Quem não gosta de descrever os efeitos de uma magia, além da praticidade de um waterbreathing? Cortar o uso da magia pode ser um pouco radical, mas pode ser interpretado como um desafio a mais para os seus jogadores. Afinal eles terão que usar de criatividade para resolver problemas antes tão fáceis quanto um estalar de dedos! Que tal construir uma alavanca ao invés de fortalecer o bárbaro com Força do Touro quando for abrir uma porta?



Eu mesmo sou a favor de uma ajuda alternativa à magia. Se ficar visível que os personagens não conseguirão atingir o seu objetivo sem algum auxílio, o Mestre poderia dar aos PJs a chance de formar aliados durante a aventura ou mesmo campanha, justo como Gandalf e as Águias Gigantes, e deles obter ajuda quando mais precisarem, equilibrando assim a falta de magia em uma saída elegante. Nesse caso o Mestre tem total controle sobre o que está acontecendo, e pode decidir se os PJs terão ajuda ou se vão ter de fazer tudo na marra!

Já pensou em narrar um cenário tolkieniano? Onde, ao invés de pedir ao feiticeiro para conjurar uma magia de área, o grupo tivesse que escolher entre correr dos orcs ou lutar contra um pelotão de orcs?

Não estou dizendo que um tema de cenário é ruim, enquanto o outro é melhor de se jogar. Não é isso. No fim das contas, tudo depende do gosto do grupo e da disposição para fazer algo diferente, sem contar que o tema Fantasia é mais indicado para aqueles Mestres iniciantes, enquanto o Tolkieniano possui um clima de muito mais perigo para os PJs, levando-os até a morrer mais facilmente. Mas isso é só a ponta do iceberg - ainda tem muito mais, e no próximo post vou falar sobre outros dois temas de cenários de RPG.


E aí o que vocês acharam? E seria mesmo legal uma campanha sem magia? Deem seus comentários!

OBS: Esse é um artigo de opinião, não significa que estou totalmente de acordo. (Elendil2)


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Re: O que é tema de RPG? Fantástico vs. Tolkieniano!

Mensagem por Rotieh em Sab Maio 07, 2011 4:00 pm

Eu acho Tolkien um cenário poético e romântico, lindo, sinceramente. Algo realmente maravilhoso.

Mas não concordo em alguns pontos.

Por exemplo: tenho certeza absoluta que Gandalf usou magias contra o Balrog. Não magias como no D&D, que o mago solta meteoros pela bunda, mas magias de Arda, em sua condição de Istari.

Ele deve ter utilizado todos os seus recursos, isto é indubitável.

Há muita magia na Terra Média, e ela não é tão sutil quanto gostamos de dizer. O que ocorre é que a magia é para poucos, muito poucos.

Só os integrantes do Povo Antigo e uns 5 gatos-pingados no corpo de velhos barbados.

O que há, no entanto, é a Magia como uma essência do mundo, como um órgão da Terra Media, respondendo a tudo que ocorre em sua superfície!

Um grande exemplo é o nascer do sol na escuridão, respondendo ao renascer da esperança dos homens, quando Gandalf desponta ao leste com a cavalaria de Rohan para defender o Abismo, no segundo livro... (temo estar me equivocando em algo xD)

O sol nascendo rubro quando há matança. A terra tragando Mordor quando a proteção de Sauron se quebrou. A escuridão que se forma ao redor de quem pronuncia as palavras profanas em quenya ao redor do Um.

Todos são exemplos do mecanismo da magia no mundo. É poético.

E sim, a magia do D&D é completamente descontrolada!

Imagina! Há até ressurreição!!!

Poxa! Se eu fizer uma cena linda de um grande herói sacrificando sua vida em prol de um ideal e de sua honra, resistindo bravamente até mesmo após alvejado por setas negras (Boromir?), uma cena realmente épica, linda, emocionante!

O grupo vai se importar?

Nem um pouco! Vão dizer "Legal. Agente revive ele depois".

Pô!

Eu sempre cortei muitas magias em minhas mesas, e sempre evitei passar do LVL 5 no jogo, justamente para não permitir que os personagens virem divinidades megapoderosas! XDDD

Já mestrei em Arda, e realmente é lindo.

Precisa-se escolher bem os jogadores, claro, mas é maravilhoso.

Eu apóio sim a reciclagem das magias no D&D, e apoio inclusive mestrar na Terra Média após a 3ª era, quando a magia é ainda mais escassa (com a partida dos Noldor e Gandalf...), e mesmo assim seria divertido!

A magia pode ser charmosa, mas pode tornar-se um ponto negativo em suas campanhas ;)

Lógico que um bom mestre pode usar isso a seu favor xDD
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